Não consegui postar aqui no blog com antecedência, mas essa semana apresentei uma comunicação sobre Nietzsche na semana de filosofia da UFG. O título é Nietzsche a crítica ao Estado Moderno e o resumo reproduzirei abaixo. Refiz o artigo umas cinco ou seis vezes após ter enviado o resumo, porém acredito que (o resumo) ainda continua coerente com o texto. Uma última coisa, uma tal de Araceli, inresponsável pela publicação do caderno de resumos, atribui ao meu texto o nome de outra pessoa . Mandei uns três e-mails reclamando, mas a dona, talvez por achar que não deva satisfação, resolveu ignorar. Fiquei bastante contrariado, mas além de amaldiçoá-la pelo resto da vida, não posso fazer nada.  Eis o resumo:

Resumo: A preocupação de Nietzsche com a cultura está presente também em seus escritos políticos. Para o filósofo, o Estado deve ser instrumento da cultura e, entre suas atribuições, está a função de promovê-la. Esse seria o principal motivo, pelo qual, não vê com bons olhos o Estado Moderno liberal, posto que esse, da forma que se encontra organizado, não é capaz de criar meios de produção de cultura, enfraquecendo, assim, a vida.

Nessa perspectiva, de crítica ao Estado Moderno, Nietzsche tece amplos elogios ao estado grego antigo, pois, através da arte trágica e de seu elemento catártico, conseguiram escoar seus instintos, isto é, a organização de estado grega foi capaz de construir uma alternativa a agressividade física inerente ao humano, a saber, a arte. Nesta sociedade, criar e manter a civilidade foi possível através do escoamento da agressividade nas guerras, nas quais se envolviam, e na ausência de tais conflitos, a tarefa de manter o mínimo de harmonia dentro da cidade deu-se pela invenção da arte trágica.

Ao analisar a organização política dos gregos antigos, Nietzsche entende que domínio, controle, exploração e violência são ímpetos humanos que não se desvinculam do agir político. O Estado seria a institucionalização de tais ímpetos e o mecanismo de sublimação. Nesses termos, o Estado como continuação dos ímpetos do homem é ‘inevitável’, visto que, o homem possui o que Nietzsche denomina n’O estado grego de ‘instinto de estado’. Para Nietzsche, os gregos conseguiram pensar e executar uma forma de governo na qual seus instintos naturais manifestavam-se livremente através das competições, rivalidades, lutas nos jogos atléticos, das manifestações artísticas e considerando mesmo ímpetos como rancor, inveja, ciúme, egoísmo, etc. como estímulos para o aprimoramento da civilização.

Com essa interpretação, o filósofo se distancia dos teóricos modernos que pregavam o Estado, puramente, como fruto da racionalidade humana. Nietzsche entende que não existe separação entre homem e natureza, para ele, o homem em suas mais altas e nobres capacidades é totalmente natureza.

As criticas de Nietzsche ao Estado Moderno se fundam, principalmente, no fato de que este existe em função de si mesmo, fazendo, assim, com que a vida política gire em torno da resolução de seus próprios problemas: o Estado Moderno forja-se em unção das suas satisfações mais urgentes, com vistas à manutenção da vida. As críticas do filósofo se fazem mais ácidas com relação aos pensadores iluministas, para quem, como pensadores da liberdade, são apenas niveladores, visto que vão contra a natureza humana ao pregar a máxima da ‘igualdade de direitos’. Ao teorizar sobre a igualdade dos homens, isto é, sobre o nivelamento dos homens, por meio do Estado Moderno liberal, os iluministas estão, atentando contra à humanidade, à natureza humana, posto que natureza humana, na filosofia nietzschiana, significa hierarquia, diversidade, pluralidade, diferença.