Embora não tenha nascido na cidade de Aparecida, me considero aparecidense, pois foi nessa cidade que vivi por mais tempo, onde moram meus pais, a maior parte dos meus amigos e onde se passaram as mais significativas experiências da minha vida. Assim, adotei Aparecida como minha cidade natal e não aceito dizer que sou natural de outra cidade. Posso até, eventualmente, ter nascido em outro lugar, mas foi em Aparecida que está toda minha – não muito grande – história de vida (a quem possa interessar: moro em Goiânia a três anos. E não venha me dizer que Aparecida e Goiânia são a mesma coisa, pois, definitivamente, não são).
Historicamente, Aparecida é a cidade problema do estado. É lá que se concentra o maior índice de violência de Goiás, excetuando, obviamente, o entorno de Brasília. É, também, uma cidade com um gigantesco problema de infraestrutura. Falta, asfalto, água tratada e esgoto em mais de 80% dos bairros. Os problemas da saúde e educação, a exemplo do resto do país, são gritantes.
Aparecida, hoje, detêm a segunda maior população do estado, mais de meio milhão de habitantes. Diz-se por aí, que a cidade não cresceu, inchou. Tudo isso devido a sua proximidade com a capital do estado, Anápolis e Brasília. Importante lembrar que Aparecida é mais velha que Goiânia e não se preparou para o fato de, do dia para a noite, dividir seu limite geográfico com a capital. Portanto, Aparecida cresceu (ou inchou) sem nenhum planejamento.
O que quero ressaltar é que, até bem pouco tempo, os problemas de aparecida pareciam não ter solução. Falava-se em décadas para “amenizar” os problemas de infraestrutura da cidade. Interessante perceber como essa “conversa” já havia sido internalizada pela população. Em seus mais de oitenta anos de existência, entrava e saia prefeitos e a cidade continuava na mesma. Ano passado o ex-governador Maguito Vilela foi eleito prefeito e isso fez toda a diferença. Dez meses depois de assumir a prefeitura, a administração municipal transformou a cidade em um grande canteiro de obras. Grande parte dos bairros da cidade estão recebendo a infraestrutura básica – asfalto, água, esgoto –, não aos moldes das administrações anteriores de levar esses benefícios a uma ou duas ruas do bairro, mas estendendo isso a todas as ruas do bairro beneficiado. Além disso, a cidade está visivelmente mais limpa. Na educação, depois de mais um de uma década, a prefeitura promove um concurso público para contratação de profissionais e, recentemente, lançou a Agenda Aparecida, com a finalidade de discutir os problemas da cidade com a população, com os movimentos sociais e instituições. Enfim, não resta dúvida que essa administração é a melhor das últimas décadas, quem sabe, da história da cidade. É impressionante o ritmo da atual administração, em pouco mais dez meses fez o que as últimas quatro ou cinco gestões não conseguiram, talvez por incompetência ou, o que acredito ser mais provável, por má-fé.
Sempre ouvi dizer que o problema da seca do nordeste não é resolvido por não ser politicamente interessante, pois manter a população refém dos carros-pipas é algo, do ponto de vista eleitoral, bastante lucrativo. Isso é, obviamente, uma lógica bastante cruel. Algo bastante próximo sempre aconteceu em Aparecida. O asfalto sempre foi o grande trunfo do pequeno grupo que nos últimos tempos se revezava no poder. A cada quatro anos asfaltavam uma, no máximo duas ruas de determinado bairro conquistando, assim, os votos daquela população. Por isso acredito ser má-fé a inação dos últimos governos municipais. Depois desses primeiros dez meses de administração Maguito Vilela, o velho argumento da falta de recursos, caiu por terra.
Espero que após essa administração a população aparecidense perceba que não precisa mendigar, muito menos de se contentar com esmolas. Oferecer qualidade de vida é um dever do governo (seja municipal, estadual e federal). Ademais, é nosso direito, pois, literalmente, por isso.